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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Cavaco Silva vs Passos Coelho: análise às manifestações populares


Nos últimos dias assistimos a dois comportamentos distintos por parte do Presidente da República e do primeiro-ministro. O primeiro cancelou na passada 5ªfeira uma visita à Escola António Arroio. Já o segundo enfrentou os populares em Gouveia. Passos Coelho foi vaiado, enquanto Cavaco Silva evitou receção semelhante por parte dos alunos daquela escola nas Olaias, em Lisboa. O primeiro-ministro ficou claramente melhor na “fotografia”.

Não é aceitável que uma figura como o Presidente da República evite o contacto com o povo, quando foi eleito democraticamente por este, mesmo sabendo à partida que o cenário que iria encontrar não seria favorável ou simpático. Ainda para mais não teve coragem para assumir a verdadeira razão da sua ausência, preferindo mandar dizer que tal deveu-se a um “impedimento”. Uma situação prejudicial para a democracia e que não livra Cavaco de na próxima aparição pública ser novamente confrontado com o episódio da António Arroio. Ou será que o presidente irá evitar as pessoas e a “vida real” até ao fim do mandato?

Já Passos Coelho esteve bem. Mostrou que é um político mais maduro e sem medo de enfrentar uma população enfurecida. Conseguiu passar uma imagem de político dialogante e preocupado com os problemas das pessoas. Enfrentou os populares com naturalidade e a sua posição saiu reforçada. Foi bastante mais inteligente do que Cavaco.    

Continuo sem perceber os erros consecutivos de comunicação cometidos por Cavaco Silva. Apesar de ser um cargo muito mais resguardado do que o do primeiro-ministro, o que é certo é que tem acumulado incidentes atrás de incidentes, alguns perfeitamente infantis e evitáveis, tendo uma clara dificuldade em lidar com a crítica.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A comunicação no governo de Passos Coelho



Um dos  pilares para o sucesso da recente equipa governativa passará pela comunicação. Já o seria em condições normais, mas mais fulcral será na atual conjuntura de crise. Para envolver as pessoas e diminuir os protestos sociais as principais medidas terão de ser bem comunicadas, o que implicará honestidade, clareza e coerência no discurso. O governo de Pedro Passos Coelho terá de inverter a imagem do anterior executivo onde a comunicação foi percecionada pelos portugueses como algo meramente propagandístico e manipulador da opinião pública.
A essência da boa comunicação é a verdade e somente através desta será possível gerar confiança numa dose suficiente para motivar as pessoas a alterarem atitudes e comportamentos. Para isso será fundamental traçar uma estratégia de comunicação que seja clara para toda a equipa governativa, onde todos estejam envolvidos e devidamente alinhados. Apenas assim conseguirão ganhar credibilidade e ser bem-sucedidos no dia-a-dia com a mínima contestação possível. As pessoas não suportarão mais trapalhadas e o tão famoso na política “diz que disse”.
O governo terá de ser uma orquestra onde não poderá existir qualquer instrumento desafinado sob pena de arruinar a performance dos restantes elementos. Para isso é fundamental encontrar um bom maestro. De acordo com as últimas notícias que vieram a público já foram recrutados alguns jornalistas para a nova equipa de comunicação do governo. Na minha opinião serão elementos importantes e válidos mas que não terão a capacidade de ocupar o tal lugar supremo de maestro. Este não poderá ser um mero assessor de imprensa. É-lhe exigido uma visão mais abrangente da comunicação, com pensamento estratégico e conhecimentos que vão muito além do simples jornalismo de terreno. O tempo encarregar-se-á de me dar ou não razão.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Legislativas 2011: partidos e candidatos vistos à minha lupa



PSD – PEDRO PASSOS COELHO

O PSD tem andado a reboque do PS (e até do CDS-PP). Tinha a obrigação de marcar a agenda mediática da campanha e não andar sempre a responder às provocações gratuitas dos outros partidos, sobretudo os de pequena dimensão;

O programa eleitoral pode estar muito completo mas não revela sensibilidade comunicacional. Quantos portugueses é que irão ler este documento do princípio ao fim? Deveria existir um resumo de 3 páginas com as principais ideias;

O PSD ainda não conseguiu passar três/quatro ideias-chave positivas que motive e dê confiança ao eleitorado para votar no partido no próximo dia 5. Independentemente de ser verdade ou não, certo é que, por exemplo, o PS está conotado como o partido que defende o estado social e o CDS-PP os interesses dos agricultores;

A grande maioria das propostas divulgadas dá azo a mal entendidos e controvérsia. Umas vezes porque são mal explicadas, outras porque o PS faz um bom trabalho de contra informação. Apesar de tudo, considero que na esmagadora maioria das situações é mais demérito do PSD do que mérito da oposição;

Pedro Passos Coelho ainda é visto, dentro e fora do partido, como o rapazinho ex-jota. Há muito que deveria ter calado internamente as vozes que continuamente criticam publicamente as suas decisões. Os portugueses vêem-no como bastante influenciável o que é péssimo para um líder e candidato a primeiro-ministro.

terça-feira, 19 de abril de 2011

PSD com toque de samba


Nas últimas horas soube-se que o PSD contratou um marketeer brasileiro para trabalhar a campanha de Pedro Passos Coelho nas próximas eleições legislativas. Mais uma vez, e como em tantas outras áreas, o “Compro o Que é Nosso” é algo que não se aplica na política nacional.

Relativamente a agências de comunicação, o PSD também foi claro dizendo que não iria contar com nenhum apoio a este nível. Assim sendo, mais dinheiro sobra certamente para croquetes e música para o povo. Resta apenas saber se teremos Tony Carreira ou Roberto Leal.