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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Cavaco Silva vs Passos Coelho: análise às manifestações populares


Nos últimos dias assistimos a dois comportamentos distintos por parte do Presidente da República e do primeiro-ministro. O primeiro cancelou na passada 5ªfeira uma visita à Escola António Arroio. Já o segundo enfrentou os populares em Gouveia. Passos Coelho foi vaiado, enquanto Cavaco Silva evitou receção semelhante por parte dos alunos daquela escola nas Olaias, em Lisboa. O primeiro-ministro ficou claramente melhor na “fotografia”.

Não é aceitável que uma figura como o Presidente da República evite o contacto com o povo, quando foi eleito democraticamente por este, mesmo sabendo à partida que o cenário que iria encontrar não seria favorável ou simpático. Ainda para mais não teve coragem para assumir a verdadeira razão da sua ausência, preferindo mandar dizer que tal deveu-se a um “impedimento”. Uma situação prejudicial para a democracia e que não livra Cavaco de na próxima aparição pública ser novamente confrontado com o episódio da António Arroio. Ou será que o presidente irá evitar as pessoas e a “vida real” até ao fim do mandato?

Já Passos Coelho esteve bem. Mostrou que é um político mais maduro e sem medo de enfrentar uma população enfurecida. Conseguiu passar uma imagem de político dialogante e preocupado com os problemas das pessoas. Enfrentou os populares com naturalidade e a sua posição saiu reforçada. Foi bastante mais inteligente do que Cavaco.    

Continuo sem perceber os erros consecutivos de comunicação cometidos por Cavaco Silva. Apesar de ser um cargo muito mais resguardado do que o do primeiro-ministro, o que é certo é que tem acumulado incidentes atrás de incidentes, alguns perfeitamente infantis e evitáveis, tendo uma clara dificuldade em lidar com a crítica.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Mudança e compromisso




Sem grande surpresa Cavaco Silva foi reconduzido no cargo de Presidente da República. Sem grande surpresa a abstenção e os votos em branco registaram valores históricos. Sem grande surpresa os políticos perderam mais uma oportunidade de melhorar publicamente a má imagem que a classe possui.

O populismo reinou durante toda a campanha. Nenhum dos candidatos a Belém procurou ir mais longe, deixando-se ir simplesmente pelo caminho mais fácil, mas que não leva Portugal a lado nenhum. Os telejornais de prime time encheram-se de políticos e dos tradicionais cegos seguidores num miserável teatro televisivo.

Enganem-se os que pensam que as tradicionais arruadas, ou mesmo as redes sociais, são suficientes para aproximar os portugueses dos políticos e da política. A alteração terá de ser mais profunda. O actual paradigma de fazer política em Portugal está esgotado. O seu conteúdo já não seduz nem mobiliza ninguém. Antes pelo contrário, apenas cava um fosso cada vez maior entre os portugueses e os que lideram os destinos do país.

É tempo de fazer um reset às máquinas partidárias, inundadas de gente cheia de vícios que, na maioria das situações, apenas actua em benefício próprio. Enquanto não existir um compromisso sério para mudar e pensar efectivamente nos portugueses, tudo o que se execute será insuficiente para envolver as pessoas e promover a livre discussão de ideias. O problema maior é que já não nos resta muito tempo.