segunda-feira, 31 de julho de 2006

A importância de falar bem em público

É essencial um técnico de comunicação saber falar em público. Muitas vezes isso é um autêntico terror para os profissionais. O medo de falhar e o nervosismo constante pode tornar uma palestra um verdadeiro massacre para a audiência. Por vezes, o discurso tão fluído e entusiástico por parte do orador pode levar-nos a pensar que tudo é inato. No entanto, raramente isso é assim, havendo por detrás uma grande preparação.

Seja para uma entrevista, uma apresentação ou uma reunião, o discurso além de coerente, deve ser claro, com frases simples e directas, com adjectivos e até com a utilização de analogias ou exemplos para ilustrar ideias ou conceitos. Dado o discurso oral ser bastante diferente do escrito, é crucial adaptar o texto escrito ao formato oral. São de evitar frases pomposas, linguagem pouco própria e demasiados detalhes, de forma a ficar tudo claro na mente do receptor.

Um outro ponto importante para uma boa performance é a definição do público. O orador deve procurar saber qual o número de pessoas da assistência, a idade média desse grupo, a proporção masculina versus feminina, perfil cultural, grau de conhecimento do público relativamente ao tema apresentado, bem como se existem ideias preconcebidas sobre o assunto.

No caso de ser um grupo pequeno, e se opte por uma apresentação informal, é essencial interagir com o público, para que se “quebre o gelo” e permita que as pessoas intervenham nos temas abordados. Por outro lado, se a opção for uma apresentação formal, é essencial que se estabeleça um contacto visual com todos os elementos para ajudar a prender a atenção de todos.

No caso de apresentações para grupos com mais de quinze elementos, é fundamental assegurar que o som chegue a todos em boas condições. Dada a audiência ser maior, o discurso deve ser articulado de forma clara evitando entrar em grande pormenores.

Relativamente à aparência do orador, a primeira impressão é fulcral para o interesse e atenção do público. As roupas, o modo de andar e a forma como está de pé são importantes para a avaliação que o público faz de imediato à pessoa. A indumentária deve ser adaptada consoante o tipo de acção (reunião ou apresentação), público, estação, etc.

Por último, outro factor igualmente importante é a postura utilizada pelo orador, isto porque quase dois terços da comunicação entre as pessoas é não-verbal. Gestos, expressões faciais e outras formas de linguagem corporal têm assim uma importância acrescida. A postura deve condizer com o discurso do momento. Não faz sentido gestos bruscos em temas sérios, pois causam na audiência confusão e distracção. São de evitar falar com as mãos nos bolsos ou braços cruzados, já que, segundo os especialistas, transmitem insegurança. Virar as costas ao público para apontar algo, perturba o discurso e tapa a visão. Por outro lado, posturas relaxadas como cruzar as pernas, expressam falta de profissionalismo e falta de autoridade.

É essencial para um bom profissional de relações públicas a adopção de uma postura confiante, de forma a demonstrar que domina o assunto, criando assim autoridade e credibilidade. Este tipo de comportamento contribui ainda para a criação de empatia com o público, cativando-o para a apresentação em causa.

terça-feira, 18 de julho de 2006

Relações Públicas Sem Croquete

Se deseja saber quando o blog é actualizado, envie um email para o endereço renatopovoas@hotmail.com

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Renato Póvoas

quarta-feira, 12 de julho de 2006

Press releases no lixo

Segundo um estudo realizado em Espanha, 85% dos press releases emitidos para as redacções vão parar directamente ao lixo! A Era do PR terminou há muito, e quem ainda não se apercebeu disso, deve andar certamente muito distraído. Os tempos actuais exigem a utilização de novos instrumentos de comunicação para com os jornalistas, apimentados sempre com uma boa dose de criatividade, perseverança e agressividade, no bom sentido da palavra, obviamente.

Consulte a notícia e o estudo nos seguintes endereços:
http://www.elmundo.es/elmundo/2006/06/27/comunicacion/1151414416.html

http://www.estudiodecomunicacion.com/ec/PEI/items/informe.pdf

domingo, 9 de julho de 2006

Dados APCT - Uma realidade indiscutível

Hoje, deixo-vos aqui os mais recentes dados da APCT, que comprovam, uma vez mais, que as preferências pessoais de cada um não podem ser confundidas com a realidade dos números. Para bom entendedor meia palavra basta…
As 10 mais vendidas:
(Publicação - Média de circulação paga)
- Maria - 258 650
- TV 7 Dias - 175 741
- Nova Gente - 141 635
- Selecções Reader's Digest - 122 004
- Expresso - 121 255
- Correio da Manhã - 116 071
- Telenovelas - 112 639
- Jornal de Notícias - 97 942
- Visão - 94 923
- Caras - 86 394
As 10 maiores subidas absolutas:
(Publicação - Média de circulação paga)
- GQ - 22 222
- Lux Woman - 49 001
- Máxima - 55 974
- Maxiconsolas - 7 895
- Blue Living - 16 648
- Premiére - 19 967
- Maria - 258 650
- Super Pop - 62 322
- PC Mais - 6 756
- Máxima Interiores - 13 876
As 10 maiores descidas absolutas:
(Publicação - Média de circulação paga)
- Selecções Reader's Digest - 122 004
- Expresso - 121 255
- Volta ao Mundo - 29 024
- Maxmen - 51 264
- Ragazza - 39 325
- 24 Horas - 41 950
- Mulher Moderna na Cozinha - 54 028
- Visão - 94 923
- Receitas de Sucesso - 10 436
- Saber Viver - 48 248

quinta-feira, 29 de junho de 2006

Os homens dos ministros

Foi notícia no passado dia 18 de Junho, no jornal Público, as remunerações dos assessores dos actuais ministros, nomeadamente o facto de alguns deles ganharem mais que os do primeiro-ministro, José Sócrates. Segundo o mesmo artigo, os chefes das pastas das Finanças, Negócios Estrangeiros, Administração Interna e Justiça são os que mais bem pagam aos seus assessores de imprensa.

Fernanda Pargana, responsável pelas relações com os jornalistas no Ministério das Finanças aufere mensalmente um ordenado-base de 4500 euros. Por outro lado, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Carneiro Jacinto, certamente o mais mediático entre os seus pares do Governo, recebe um vencimento-base de 4432 euros. Este representa um caso curioso, pois transita dos anteriores Governos de Durão Barroso e Pedro Santana Lopes, onde foi igualmente assessor na mesma pasta ministerial.

Entre os mais bem remunerados encontra-se também o assessor de imprensa do ministro da Administração Interna. António Costa contratou o ex-jornalista do Diário de Notícias, Duarte Moral, que aufere cerca de 3450 euros, a que acresce as despesas de representação, subsídios de férias, de Natal e de refeição.

Já no Ministério da Ciência e Tecnologia, liderado pelo ministro Mariano Gago, a responsável pelas relações com os media recebe 3255 euros. Trata-se de Dulce Anahory que foi requisitada aos CTT.

O ministro Alberto Costa entregou a gestão da comunicação da pasta da Justiça a dois assessores: José Carlos Costa, requisitado à SIC, e Ricardo Pires, proveniente do Parque Municipal do Município de Cascais. Cada um ganha mensalmente cerca de 3250 euros.

Em média, o grosso dos assessores de imprensa do Governo recebe um ordenado semelhante, uma vez que a sua remuneração está equiparada à de um adjunto de gabinete. Este valor ronda os 2800 euros sem contar com os extras. Há ainda assessores cujos rendimentos não estão publicados. Maria João da Silva é um destes casos. Foi requisitada à Parque Expo S.A. e optou pelo vencimento de origem. É uma das possibilidades que a lei permite.

quarta-feira, 14 de junho de 2006

Estratégias de Comunicação

É notório nos últimos anos o aumento da necessidade de comunicar por parte das empresas em Portugal. Independentemente do sector profissional, todas elas pretendem protagonismo nos meios de comunicação social. Vêem estes como veículos privilegiados para chegar aos seus diversos públicos: consumidores, accionistas, entidades oficiais, entre outros. Resultados financeiros, iniciativas empresariais e acções de responsabilidade social são alguns dos pretextos comunicacionais mais utilizados.

Muitas das empresas sem departamentos ou responsáveis de comunicação delegam nos seus responsáveis de marketing a (grande) responsabilidade em contratar a agência de relações públicas que ficará encarregue pela comunicação da empresa. Face a esta realidade, nasceram, nos últimos tempos, inúmeras agências, muitas delas dirigidas por pessoas sem capacidade de gestão nem liderança, e para as quais o dumping é o primeiro e, por vezes, o único argumento nos concursos onde entram. Fruto disto, estas empresas contratam pessoas a baixo custo, onde obviamente, a experiência e motivação é sobejamente reduzida.

Por outro lado, temos também assistido a um mercado de media muito dinâmico, com a abertura de novas publicações em diversas áreas, com especial incidência na economia/negócios e saúde. No entanto, dado não terem havido substanciais alterações nos meios de comunicação social premium, e por outro lado haver cada vez mais fontes de informação, a luta pelo espaço editorial é bastante elevada e agressiva. Exige-se assim dos profissionais de comunicação criatividade, estratégia, conhecimento e muita perseverança. Sem estes atributos, seja qual for o tema que se queira colocar na ordem do dia, não se alcançará o sucesso. E muitas das vezes é mesmo a estratégia que falta, o que é inadmissível e preocupante, pois, como já referi, vivemos num mercado cada vez mais concorrencial e numa era onde a profissionalização e empenho são cruciais para o triunfo nos projectos que abraçamos.

A imagem de uma empresa é algo muito valioso. Basta um dia ou um incidente para manchar a reputação de uma instituição que pode ter levado anos a edificar. Os gestores de comunicação das empresas são assim activos muito importantes, cujo sucesso está dependente da política e dos instrumentos de comunicação utilizados.
Um desses instrumentos mais tradicionais e mais utilizados são as chamadas conferências de imprensa. É frequente que, quando se pretende dizer algo de importante (e para as empresas, todos os dias têm coisas importantes para revelar), se convoque os jornalistas para o que se chama de “Portugal sentado”. Aluga-se uma sala de hotel, arranja-se uns bolinhos e uns cafés, coloca-se dois ou três oradores a falar durante 90 minutos, e já está! Qual o número de jornalistas presentes no local? Qual o retorno de investimento destas iniciativas? Apesar de não ter qualquer estudo, acredito que na maior parte das situações fique aquém das expectativas dos responsáveis.

De quem será a culpa? Não deverá o técnico da agência de comunicação, numa atitude pedagógica, referir ao seu cliente que todos os dias os jornalistas recebem dezenas de e-mails e faxes com convites para iniciativas, e que por isso, desta vez, realizar uma conferência de imprensa não trará os resultados esperados? Não deverá o profissional da agência propor alternativas de comunicação, certamente mais baratas, mas também mais eficazes? Na minha opinião, sim! No entanto, do outro lado da empresa cliente, terá de haver alguém que tenha faro comunicacional e veja a comunicação como uma mais valia e não como um fardo inevitável. Para isto ter um director de comunicação qualificado é meio caminho andado!

segunda-feira, 29 de maio de 2006

O Signo da Mentira - Parte II

Não é querer dar mais importância a Manuel Maria Carrilho (MMC) do que ele tem, mas volto a abordar este assunto pois sinto que ainda estão alguns pontos por esclarecer e para que a mentira seja desmontada de uma vez por todas.

No passado programa da RTP “Prós e Contras”, dedicado ao conteúdo de, certamente, uma das melhores obras de literatura “light” portuguesa de 2006 - “Sob o Signo da Verdade”, MMC e Emídio Rangel (ER) tiveram direito a muito tempo (eu diria mesmo, demasiado tempo) de antena em horário nobre, como jamais imaginaram ter.

Em primeiro lugar, e começando pelo acompanhante, foi notório em ER a postura e o tom de critica permanente ao seu sucessor na SIC, Ricardo Costa (RC). Desde o “eu não o faria” ao “é completamente inadmissível essa situação”, tudo serviu para tentar fragilizar publicamente RC. É claro que, aos olhos de quem quer que seja, ER busca incessantemente algum protagonismo, pois o desemprego também atinge directores de informação, e ser colunista no jornal 24 Horas não dá para as despesas mensais.

Já MMC voltou a usar os seus clichés habituais:
- Campanha difamatória por parte dos meios de comunicação social;
- As agências de comunicação não deveriam existir;
- Existe um péssimo jornalismo em Portugal;
- O livro tenta restituir a verdade para que se melhore no futuro.

Ou seja, mais do mesmo. Nada de novo.

Os dois juntos, MMC e ER, tentam apoiar-se e acreditar em algo que só quem nunca teve um contacto com este “mundo”, pode acreditar nas suas teses.

Será que estes dois iluminados senhores, em planos diferentes, já pensaram, um, porque é que as pessoas votam cada vez menos? E outro, porque é que as pessoas lêem actualmente menos jornais do que liam há uns anos atrás? Será que a culpa da má imagem que os políticos têm em Portugal pertence às agências de comunicação? Não darão as agências de comunicação emprego a muitos jornalistas, recém formados ou não?

A ideia que ER e MMC têm tentado transmitir de que as agências de comunicação e os seus profissionais têm poder para mudar o Mundo é totalmente erróneo. Ridículo mesmo! Mas se tal fosse assim, acredito que vivêssemos num Mundo bem melhor, sem tanta corrupção nem disparate.

As agências de comunicação obviamente que só veiculam as mensagens que querem e que lhes interessam. Tal como os políticos que só defendem as ideias que lhes interessam, ou os jornalistas só escrevem sobre assuntos que consideram pertinentes. Já imaginaram algum dia o MMC elogiar o trabalho do PSD, por muito que fosse justo? O mesmo acontece com as agências de comunicação: só comunicam temas e produtos para os quais têm interesse. São empresas e por isso visam o lucro. Tal como os meios de comunicação social são empresas que procuram aumentar as vendas/audiências para se tornarem produtos mais valiosos e angariarem mais contratos publicitários. Para isto, adequado ao perfil de cada meio, os jornalistas produzem notícias apelativas para criarem impacto nos seus leitores/telespectadores.

Se é verdade, tal como referiu o jornal Expresso, que 70% das notícias publicadas na imprensa (número que francamente acho exagerado) são difundidas por agências de comunicação ou gabinetes de imprensa, penso que este seja um assunto que deverá ser tratado com muito cuidado e atenção. Face a este número, já imaginaram o que seria dos media nacionais sem agências de comunicação? Como conseguiriam eles fechar as suas edições e angariar a publicidade que conseguem? Não será que eles também lucram com o trabalho das agências de comunicação?

Com as redacções cada vez mais reduzidas de pessoas, as agências de comunicação são autênticas extensões dos meios de comunicação social. Os técnicos das agências elaboram conteúdos e simplificam o trabalho de muitos jornalistas, pois sabem quais as necessidades destes. Poupam-lhes assim muito tempo e trabalho. No entanto não quero que julguem que sou adepto do jornalista que apenas se limita ao copy/paste do press release. Penso que é benéfico para ambas as partes que um jornalista reflicta sobre um determinado tema proposto por uma agência de comunicação. Isso leva a uma maior criatividade ao nível dos ângulos de abordagem e dos próprios assuntos existentes nos meios, em que o leitor/espectador é sempre quem lucra mais.

No entanto são os jornalistas que decidem sempre, mas mesmo sempre, o que é publicado ou não. Às agências de comunicação cabe-lhes apenas oferecer temas e assuntos para abordarem. Os meios de comunicação social é que têm de saber separar o trigo do joio. Pois, obviamente, existem agências e técnicos de comunicação que prestam um mau serviço.

Por último, deixo aqui uma questão para reflectirem: Se as agências de comunicação são dispensáveis, porque é que nós contribuintes temos de pagar os elevados salários dos assessores de comunicação dos ministros do governo?

sexta-feira, 12 de maio de 2006

Sob o Signo da Mentira ( A polémica das agências de comunicação)

Este não é o título do livro de Manuel Maria Carrilho (MMC) hoje apresentado, mas deveria ser, dadas as tremendas falsidades que ele contém. “Sob o signo da verdade”, nome real da obra literária, trouxe novamente MMC para o palco mediático. Tanto assim foi que até esteve presente hoje à noite no programa da RTP, Grande Entrevista, de Judite de Sousa.

MMC referiu na entrevista que o seu livro não é um trabalho de vitimização, nem de ressentimento porque ele não se queixa. No entanto, surge agora, 6 meses depois das eleições autárquicas, criticar tudo e todos, mas esquecendo-se de assumir os seus erros e a sua derrota. Fala como se fosse o senhor da verdade e o ser mais puro de entre todos os terrestres.

Em primeiro lugar, faz questão em apresentar-se, e hoje fê-lo mais uma vez, como professor catedrático e não como político. Apesar de presentemente ser político a 100%, pois é vereador na Câmara Municipal de Lisboa e deputado pelo PS na Assembleia da República. Não se assume como político, pois sabe certamente que é uma classe inundada pela corrupção e por isso com uma péssima imagem na opinião pública.

MMC afirmou que houve uma série de pessoas na comunicação social, de diferentes meios, que actuaram como uma matilha contra ele. Directores de jornais, editores, comentadores políticos, jornalistas, entre outros. Acusa-os de o terem perseguido e de terem orquestrado uma forte campanha tendo em vista denegrir a sua imagem. Onde está a liberdade de expressão para MMC? Não quererá ele inibir as opiniões dos comentadores ou os critérios jornalísticos dos editores? Será que MMC já se esqueceu que também ele já foi comentador num canal de televisão e autor de diversos artigos de opinião no Diário de Notícias, muitos deles extremamente corrosivos com certas personalidades? Será que é correcto depois de ver uma manchete no jornal Expresso que o atingia, ligar para o director do jornal a pedir satisfações, como ele próprio admitiu? Isto é que é ética?

Durante a entrevista de hoje a Judite de Sousa, MMC referiu que durante a campanha eleitoral chegaram a haver períodos de 24 horas em que não esteve acompanhado por nenhum meio de comunicação social. A TSF e a Agência Lusa já o desmentiram.

Um dos momentos mais “quentes” do livro do ex-candidato socialista à Câmara Municipal de Lisboa é o capítulo das agências de comunicação, onde afirma que foi abordado por Cunha Vaz (CV), director de uma empresa de comunicação. MMC referiu que CV lhe propôs recolher fundos “ilícitos” e “comprar opinião”. O deputado do PS conta ainda que CV lhe afiançou, “com um ar de espertalhão”, que “tudo se compra” e que tem “seis jornais na mão”– isto, perante a “incomodidade” do candidato socialista face a tais propósitos. MMC acusou-o mesmo de ser “mercenário”.

MMC afirma que recusou obviamente os serviços de CV, questionando o papel das agências de comunicação. Diz que não sabe o que fazem, e que não deveria haver intermediários entre os jornalistas e a população. Então e agora pergunto eu: O Edson Athayde foi contratado por MMC com que finalidade? Não terá sido para lhe dar conselhos como o do tão mediático, quanto triste, vídeo familiar?

O marketing político é uma disciplina há muito utilizada por exemplo nos E.U.A. Mas em Portugal também já vem sendo utilizada com alguma regularidade. Mário Soares, José Sócrates e Cavaco Silva são alguns exemplos disto mesmo.

Outro ponto interessante do livro é o relato que o autor faz do incidente do aperto de mão (ou da falta dele) no final do debate com Carmona Rodrigues (CR) na SIC Notícias. “Não pensei que estivesse a ser filmado, para gáudio de um espectáculo vergonhoso que a SIC Notícias fez. Um amigo disse-me que isso era o que fazia a polícia política dos países de Leste: filmarem cenas privadas [de um cidadão] e usarem-nas para depois o humilharem", declarou MMC.

O deputado socialista esquece-se que aquele momento, no final do debate, onde houve uma troca de palavras mais azedas entre os dois candidatos e a recusa de um aperto de mão é notícia. Em qualquer parte do mundo! O argumento de não saber que estavam a filmar não justifica tal acto. Tal como referiu Judite de Sousa, essas reportagens no final dos debates são normais em todos os canais, incluindo a RTP, que fez o mesmo nos seus debates das autárquicas. Infelizmente, para MMC, aquele momento marcou negativamente o debate e toda a campanha.

Tal facto é notícia, como foi o esquecimento de CR, em plena campanha eleitoral, do nome da Fonte Luminosa. A TSF fez questão de passar novamente esse registo radiofónico esta noite. Talvez aqui, como não houve nenhuma televisão a captar o momento, o impacto foi mais reduzido. Mas por exemplo, quem não se lembra ainda, e passado tantos anos, daquele episódio do Engº Guterres, quando era primeiro-ministro, a tentar fazer um cálculo matemático mental, que não conseguiu, acabando por dizer “É uma questão de se fazer as contas”.

É incontornável, MMC não soube gerir a imagem e prejudicou-se por diversas vezes. Colocar as culpas dos seus insucessos nos outros é muito deselegante, e acima de tudo injusto. Os comentários que tece às agências de comunicação e nomeadamente a CV são muito graves e merecem uma resposta adequada de quem de direito. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos. Até lá, aconselho MMC a comprar um manual sobre Relações Públicas para ficar a saber mais sobre esta importante área.

terça-feira, 9 de maio de 2006

Optimizar as relações com jornalistas

Para muitos falar com a comunicação social é mais complicado, assustador mesmo para alguns, do que com a comunicação feita em reuniões ou conferências com vastas audiências. Ter à sua frente uma pessoa que pode usar expressões ou comentários fora do contexto ou mesmo evidenciando mais do era pretendido, pode trazer problemas. Por isso, para muitas pessoas, a comunicação com jornalistas é um autêntico drama, que só poderá ser atenuado caso seja feita uma cuidadosa preparação.

Para melhorar a performance destes momentos, a maior parte das agências de comunicação em Portugal disponibilizam já aos seus clientes serviços de media training. Estas formações, dadas normalmente por jornalistas ou ex-jornalistas, ajudam a perceber como funcionam os meios de comunicação social (critérios jornalísticos, timings, perfis, etc) e, com a instrução de algumas dicas e truques, como superar uma entrevista num contexto adverso para o entrevistado.

Dado o objectivo dos jornalistas ser o de gerar notícias, é fundamental preparar qualquer conversa, telefonema e email que se transmita a um ou mais jornalistas. É igualmente importante o entrevistado dominar todos os assuntos que possam ser abordados durante a entrevista. Caso o jornalista detecte alguma lacuna de informação ou exista uma declaração contraditória, o profissional poderá insistir nesse ponto concreto pondo assim em apuros o entrevistado. Em caso algum se deve recorrer ao uso da mentira. Esta só agravará a situação, e poderá ter repercussões extremamente negativas.

Outro ponto importante é o tipo de informação que deve ser transmitido ao jornalista. Devemos ter consciência que estes profissionais são normalmente pessoas muito ocupadas com inúmeras tarefas por cumprir, não havendo normalmente tempo para conversas ou informações pouco relevantes. Desta forma, aconselha-se um carácter sério e coerente ao discurso utilizado com a comunicação social, principalmente em conferências de imprensa. Nestes momentos, dado o imediatismo da comunicação, exige-se um discurso ainda mais fluído (numa postura de naturalidade e espontaneidade) e uma construção argumentativa capaz de manter o constante interesse dos jornalistas ao longo de toda a acção.

Igualmente importante é o orador perceber para quem está a falar, para que adapte a mensagem ao tipo de suporte. Prestar declarações a uma rádio é diferente de ser entrevistado para um canal televisivo ou para um jornal diário. É fundamental fazer esta leitura de forma correcta, para que se explore as potencialidades de cada meio e se retire as mais valias inerentes.

Uma nota final para o fracasso da apresentação da 11ª edição dos Globos de Ouro da SIC que decorreu no passado dia 2 de Maio no Campo Pequeno, em Lisboa. Segundo o jornal Público foram poucos os jornalistas que compareceram para ouvir Francisco Penim e Luísa Jardim falar sobre os nomeados da gala que este ano verá o Herman José ser substituído pela Bárbara Guimarães. Numa altura em que as redacções portuguesas estão cada vez mais desabitadas de jornalistas, e a SIC sabe-o melhor do que ninguém, eventos como este, onde a escassez informativa é notória, eram bem evitáveis.

sexta-feira, 21 de abril de 2006

O Quiosque das RP

O blog é o meio mais democrático que existe actualmente. O objectivo é o de debater temas, trocar opiniões e discutir pontos de vista, quer seja de gente anónima ou não. O Relações Públicas Sem Croquete não foge à regra. Quando criei este espaço foi com esse propósito. Por outro lado colmatar uma lacuna que havia na blogosfera nacional: a inexistência de um blog sobre RP.

Criado este espaço há 9 meses atrás, o caminho agora é o de inovar e tornar este local cada vez mais vosso, cada vez mais útil. Sem vocês, tudo isto não fazia sentido. Assim, decidi criar o Quiosque das RP que se traduz por vos dar a oportunidade de assinarem posts no blog onde partilhem casos que conheçam de boas e más práticas de RP em Portugal. Para isso peço que me enviem para o endereço electrónico
renatopovoas@hotmail.com pequenos descritivos das situações, devidamente identificadas com o vosso nome, profissão e localidade. Mais do que um comentário, estes casos terão o merecido destaque num post no blog, sempre numa perspectiva de informar e debater as referidas situações.

Eu faço desde já o kick-off do projecto com duas boas acções de RP:
Público e BES lançam programa de literacia financeira
Chama-se Kalkular – Jornal da Matemática, destina-se aos alunos do ensino básico e terá a sua primeira edição no próximo dia 27. Será distribuído gratuitamente com o jornal Público e constitui uma das iniciativas do Da Matemática à Literacia Financeira – um programa de que fazem parte acções próprias do Banco Espírito Santo (BES) e parcerias com o Público e a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM). Estimular o gosto pela Matemática, ajudar os jovens a melhor compreender a informação financeira e a gerir o seu orçamento são os objectivos.

Campanha Doenças Cardiovasculares – Corpos no chão
Quem ainda não viu desenhado no chão de Lisboa o contorno de vários corpos de vítimas? São mais de 400 os desenhos que nos últimos meses invadiram as calçadas da capital, visíveis em várias ruas do centro, no metro, aeroporto ou Parque das Nações, com o objectivo de alertar a população para o perigo das doenças cardiovasculares, a principal causa de morte em Portugal. Esta é uma campanha da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) e do laboratório farmacêutico Astrazeneca.

Agora fico à espera dos vossos casos!

segunda-feira, 3 de abril de 2006

Salários - Situação Portuguesa

Segundo o estudo da Sales & Marketing Portugal 2005 da Hays, os salários no sector do marketing aumentaram 6% e no sector comercial 5,5%. Se no marketing a subida explica-se pelo fim da estagnação dos salários, no segundo caso, a justificação é a nova forma de remuneração: o desempenho.

As diferenças entre Portugal e Espanha
Director de Marketing + 10 anos (experiência) 70.000 (Lisboa) 65.000 (Porto) 88.000 (Madrid) 88.000 (Barcelona)
Director de Comunicação + 10 anos (experiência) 55.000 (Lisboa) 48.000 (Porto) 78.000 (Madrid) 75.000 (Barcelona)
Director Comercial +10 anos (experiência) 60.000 (Lisboa) 52.000 (Porto) 90.000 (Madrid)70.000 (Barcelona)
Fonte: Hays - Valores em euros e por ano

segunda-feira, 27 de março de 2006

Claros Disparates

Foi com perplexidade que li hoje no jornal Público o artigo de opinião assinado por Luís Salgado de Matos intitulado “Publicidade Oculta”. Transcrevo-o agora aqui na sua totalidade, para que não haja qualquer dúvida, comentando-o de seguida.
Publicidade Oculta
Entre as nossas instituições informativas há uma criatura tão atípica que nem tem nome certo: agência de comunicação social, ou uma coisa “a modos de assim”.
Estas agências recebem dinheiros de institutos públicos e empresas privadas para colocarem nos jornais notícias favoráveis aos pagantes e evitarem as críticas. A pedido da agência, o jornal publica notícias revelando a extraordinária actividade do gestor público Sicrano, ou a espantosa eficácia da empresa Chispêtêó – e não revela que o Sicrano quer ser reconduzido, pagando para tanto com o dinheiro dos impostos, ou que a Chispêtêó faz facturação enganosa, à custa do público e portanto do leitor. As notícias a pedido parecem ser mais frequentes nesta época de assembleias gerais.
Parecem, pois o fenómeno é oculto. Melhor: só é conhecido quando essas agências fazem publicar nos jornais a publicidade gratuita dos novos contratos que assinaram.
Haverá algum problema no esquema? Talvez não. Essas agências tratam de pequenas coisas: se não for o Sicrano a dirigir o Instituto das Cremações Ligeiras, será o Beltrano. As agências são inócuas? Não são; fazem pedidos eficazes: após a publicitação dos contratos das ditas agências com o Sicrano e a Chispêtêó, lemos nos jornais mais notícias, mais favoráveis, sobre o Sicrano e a Chispêtêó – e nenhuma desfavorável.
A imprensa perde. Com efeito, os jornais tentam ter o monopólio da intermediação entre o leitor e a fonte; por isso, apresentam todas as suas notícias de modo a que o leitor perceba sem margem para dúvidas quem é o seu autor: artigos assinados; as “cartas ao Director”; a publicidade, que em geral se distingue por si própria; a “publicidade redigida”, imitando os artigos de jornais e por isso assinalada; as “notas oficiosas”, hoje uma raridade, em que o governo obriga os jornais a publicarem certos textos, que são aliás a única excepção ao poder absoluto que a lei dá ao director de recusar a publicação de um texto. Aquela exibição assegura ao jornal o seu monopólio da intermediação da informação escrita entre o leitor e as fontes. Os jornais só cedem o seu monopólio às agências de comunicação escondida.
É um mistério sem ser um milagre que a imprensa se preste a publicar estas notícias a rogo, deixando que outros vendam às ocultas o seu espaço e prestígio, pois, sendo séria, ela própria lança dúvidas sobre a sua seriedade. Fá-lo-á porque estas notícias são uma publicidade de segunda? Porque são a condição implícita na publicidade de primeira? Porque uma ínfima minoria de jornalistas tem uma agenda oculta?
Mesmo que este esquema seja um serviço público desconhecido, há um problema: o esquema é escondido ao leitor. O leitor lê uma notícia a rogo, julga ler o jornal dos jornalistas e, sem o saber, lê a publicidade oculta de um instituto público ou de uma empresa privada. Para evitarem um conflito de interesses, os jornais só deveriam publicar esses artigos precedidos do aviso: “Prosa a rogo”.
Luís Salgado de Matos, Investigador de Ciências Políticas, in Público
Em primeiro lugar o senhor Luís Salgado de Matos deveria estar mais informado sobre as matérias que aborda, já que escreve num dos jornais nacionais mais prestigiados da actualidade. Os leitores que compram diariamente o Público merecem maior respeito. O senhor Luís Salgado de Matos não pode afirmar que as agências de comunicação nem nome certo têm, quando estas até estão representadas pela APECOM - Associação Portuguesa das Empresas de Conselho em Comunicação e Relações Públicas.
As relações públicas nasceram há muito tempo. Já em 1906, Ivy Lee, diplomado pela Universidade de Princeton, publicou uma “Declaração de Princípios” que enviou a todos os editores de jornais da cidade. Entre diversas coisas, referia o seguinte: “Isto não é um gabinete de imprensa secreto. Todo o nosso trabalho é feito às claras. O nosso objectivo é fornecer notícias. Não somos uma agência de publicidade. Se pensarem que certas informações deveriam pertencer exclusivamente à vossa secção comercial, não as usem. O nosso material é exacto; pormenores adicionais sobre qualquer assunto tratado serão prontamente fornecidos, e qualquer chefe de redacção será apoiado, com o maior empenho, na verificação de qualquer afirmação factual. Em suma, o nosso plano é fornecer franca e abertamente, em nome das firmas e instituições públicas, informação rápida e exacta à imprensa e ao público dos Estados Unidos, relativa a assuntos que sejam de interesse e valor para o conhecimento do público”.
Mais, é um disparate este senhor afirmar que “a pedido da agência, o jornal publica notícias”. Aqui ofende não só os profissionais das inúmeras agências de comunicação existentes, que na sua grande maioria são formadas por pessoas devidamente licenciadas, como também todos os jornalistas que trabalham nos mais diversos meios de comunicação.
Se o senhor Luís Salgado de Matos tivesse tido a preocupação, antes de escrever o seu artigo, de falar com alguns jornalistas a fim de perceber se o trabalho das agências de comunicação é útil ou não, talvez não escrevesse certas e determinadas coisas. Dadas as redacções serem cada vez mais pequenas, mas face à concorrência do sector, terem que ser mais produtivas, não existe nenhum meio de comunicação social em Portugal que não sobreviva sem agências de comunicação. Quem pense ao contrário está certamente errado. Estas empresas sugerem temas, ajudam os jornalistas a chegar mais depressa às fontes, cedem imagens, e muito mais. No entanto, tudo é decidido pelo jornalista tendo em conta o perfil e alinhamento editorial do meio de comunicação social. Por isso é que existem os cargos de editor e coordenador. São eles que decidem se querem abordar determinado assunto ou falar com determinada pessoa. Ninguém os obriga a nada. Tudo é claro. Se o jornalista se sentir enganado, de certeza que só o é uma vez. Ele tem a capacidade de fazer a triagem de quem é realmente profissional ou em quem pode realmente confiar.
O senhor Luís Salgado de Matos não sabe ou esquece-se que muitas manchetes de jornais ou aberturas de telejornais são feitas graças a informações das agências de comunicação. É isto que faz os jornais venderem todos os dias milhares de exemplares ou terem dezenas de anúncios que possibilitam pagar os salários dos jornalistas e dos colunistas (que são cada vez mais e em menor qualidade) como é o caso deste senhor. Tal como as empresas de comunicação, também os meios de comunicação social são um negócio. Se não forem apelativos nos temas escolhidos e na abordagem a estes mesmos temas, jamais conseguirão sobreviver durante muito tempo.
Se é totalmente pertinente e ético a recente medida implementada pelo jornal Público de sempre que um jornalista viaja a convite de uma empresa, colocar junto do artigo publicado a expressão: “A convite de…”, já a expressão: “Prosa a rogo”, na minha opinião não tem qualquer cabimento e só poderá ser sugerida por alguém que vive muito longe do mundo real dos meios de comunicação social.

quarta-feira, 15 de março de 2006

O poder das Relações Públicas

Porque é que existem empresas que se destacam mais do que outras? Porque é que criamos mais empatia com certas organizações do que com outras? Porque é que quando vamos ao supermercado escolhemos determinada marca em detrimento de outras, sendo estas, na maior parte dos casos, mais baratas e equivalentes na qualidade? Notoriedade é a resposta. Relações públicas é o caminho.

Será muito fácil para qualquer pessoa identificar sectores profissionais problemáticos, cuja actividade das empresas que os integram, não deixam satisfeitos os consumidores. Banca, saúde e comunicações encabeçam certamente esta lista. Por exemplo, neste último, a TV Cabo e a Cabovisão são empresas que têm uma imagem muito debilitada, já que quase todos os dias são alvo de notícias negativas.

As relações públicas não fazem milagres, mas em muitos momentos minimizam o impacto negativo de certas notícias. No entanto, as RP não são um mecanismo que deverá ser accionado apenas em situações SOS. Estas devem ser utilizadas de forma estruturada e coordenada. Por muito bom que seja um plano de RP, este só trará benefícios visíveis a médio-longo prazo. Ao invés na publicidade, os resultados são quase instantâneos. No entanto, enquanto que os efeitos de uma boa campanha de RP se estendem ao longo do tempo, os resultados de uma campanha de media dissipam-se fugazmente.

Um bom exemplo de uma estratégia de comunicação bem implementada e alicerçada é a levada a cabo pelo governo de José Sócrates. Ao fim de um ano de governação, e depois de um conjunto de medidas polémicas tomadas pelo executivo em diversas pastas, não é normal os valores de notoriedade que ainda consegue reunir junto dos portugueses.

Já a saúde e os seguros são sectores profissionais extremamente desgastados e com uma baixa notoriedade. Algumas empresas nestas áreas tentam implementar projectos que melhorem a sua imagem junto do público, de forma a serem reconhecidos por estes como agentes económicos responsáveis e credíveis. No entanto, estes gestos isolados de escassas companhias, jamais conseguirão vencer um problema sectorial.

Estranho é, face a este panorama tão preocupante, ver associações profissionais apáticas e indiferentes a todos estes problemas. Isto apesar de até terem responsáveis de comunicação. Por exemplo, a APIFARMA – Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica não cumpre o seu papel de promoção da imagem e das posições dos seus associados. Ao longo dos anos esta Associação não tem sabido potenciar a capacidade de inovação e investimento em I&D da Indústria Farmacêutica. Isto leva a que as pessoas construam uma imagem errada do sector, pois só o vêem a partir de um ângulo. Curiosamente, o dos lucros sucessivos e o da riqueza acumulada.

As RP são assim uma ferramenta importante e determinante para melhorar a imagem e notoriedade das empresas. No entanto, é fundamental que se faça primeiro um diagnóstico correcto aos problemas existentes e se implemente de seguida o plano adequado. Algo que requer talento e inteligência, só ao alcance de alguns.

domingo, 5 de março de 2006

Dumping

A comunicação, tal como outras áreas de negócio, vive momentos de forte concorrência entre as empresas que operam no mercado. A concorrência, independentemente da área, na minha óptica é sempre salutar, no sentido de proporcionar dinamismo e inovação ao sector.

No entanto, a prática de um dumping completamente exacerbado, sem olhar a meios nem a fins, apenas para ganhar mais um cliente ou um concurso, é acima de tudo uma grande falta de ética profissional por parte de quem o pratica. Nas apresentações de propostas promete-se tudo: grupo de trabalho vasto; acompanhamento regular; proactividade constante; resultados fantásticos. Depois dos projectos implementados, inventam-se razões e esgrimem-se argumentos com o cliente para provar que a culpa da escassez de resultados é dele e não nossa: “Não me deu feedback atempadamente aos documentos por mim enviados”; “Não existiram iniciativas com potencial mediático”; “Não tive oportunidade para escolher o formato e os timings dos eventos”. Estes são apenas alguns exemplos do que é normal acontecer nestas delicadas situações.

Na maioria das vezes a razão para o descontentamento, por parte do cliente, pelo trabalho levado a cabo, reside no claro dumping em termos de avenças e orçamentos que algumas empresas de comunicação praticam. Isto porque esta “filosofia empresarial” leva à prática de baixos ordenados aos consultores de comunicação, sobrecarga de trabalho para estes profissionais, falta de motivação, insatisfação e desorganização de tarefas, que por sua vez levam depois a uma escassez de resultados e de não renovações de contratos com os respectivos clientes.

Os directores das empresas de comunicação que optam por esta conduta pensam apenas no presente, não salvaguardando o futuro. Desprezam certamente valores como a reputação e o prestígio, que só podem ser atingidos por empresas a actuar no mercado durante longos anos e sempre com elevada performance.

No entanto, o mea culpa terá de ser feito pelos clientes. Isto porque, estes deveriam perceber até que ponto uma empresa estará a fazer dumping ou não pelo projecto apresentado. Só que se há uns que não percebem, outros mesmo percebendo, adjudicam as propostas a estas mesmas empresas. Aliás, este factor de ser mais barato, independentemente do potencial da equipa de trabalho e da qualidade do projecto, é cada vez mais o factor fulcral na hora da decisão. E isso é referido com toda a frontalidade nas reuniões de briefing.
Outra situação que se tem constatado ultimamente, é o facto de os responsáveis de marketing ou comunicação das empresas escolherem agências em troca de uma percentagem do montante global do projecto. Uma situação ilícita que abala toda a verdade e valor inerente a cada concurso. Muito preocupante!

sábado, 25 de fevereiro de 2006

Os jornalistas nas relações públicas

Escrevo este post a propósito de uma conversa que tive recentemente com uma profissional de relações públicas no Brasil. Confidenciou-me que no seu país existe uma enorme guerra entre jornalistas e RPs. Isto porque os jornalistas brasileiros pretendem trabalhar na área das relações públicas sem terem qualquer formação para tal. Em Portugal este cenário é semelhante.

Temos assistido nos últimos anos a uma invasão pacífica por parte dos jornalistas aos cargos que naturalmente deveriam ser ocupados por técnicos de relações públicas. Isto explica-se pelo simples facto de o jornalismo ser mal remunerado e de ser um dos mercados profissionais mais saturados do momento. Por mais novas publicações que surjam nas bancas, e nos últimos tempos temos assistido a muitas, não existe espaço para todas, acabando a maioria por ter um curto período de vida.

O que é inadmissível, e que eu condeno veementemente, é o facto destas pessoas licenciadas em jornalismo, ou apenas com experiência na área, serem escolhidas para cargos de comunicação em detrimento dos profissionais de relações públicas ou comunicação empresarial formados e preparados para tal.

Agora perguntam talvez alguns de vós: que valências faltarão aos jornalistas para ocupar os ditos cargos de comunicação? É simples - pensamento estratégico. Não basta escrever e redigir press releases ou ter alguns contactos privilegiados. Os tempos mudaram e a evolução do mercado aponta para que a estratégia seja um ponto determinante para o sucesso dos projectos de comunicação implementados.

O RPs do século XXI têm de cumprir o eixo E.R.I.C., ou seja, terão de ser estratégicos, rigorosos, inovadores e conhecedores. O modelo de relações públicas agarrado ao telefone horas e horas com conversas fúteis e pouco profícuas pertence ao passado. Os tempos de hoje exigem profissionais altamente qualificados, proactivos e focados nos objectivos das empresas, para que estas alcancem ano após ano resultados positivos e consistentes. Os projectos de comunicação para terem sucesso têm de ter coerência e pertinência, devendo ser traçados segundo uma linha condutora que justifica as acções e os timings aplicados.

Para terminar e voltando ao ponto inicial, situações com as que acontecem actualmente no Brasil, onde os jornalistas se juntam e orquestram campanhas de difamação nos media contra os profissionais de relações públicas, são sinceramente de lamentar profundamente. Ambas as profissões têm a sua área específica de intervenção e deveriam saber cooperar, pois desta forma, certamente, todos teriam a ganhar. Vejam só que até no marketing, eles, entenda-se os jornalistas, já pretendem entrar. No entanto, é curioso que depois estes mesmos profissionais estejam a criar uma lei que interdite a entrada nos meios de comunicação social de pessoas que tenham outras profissões como historiadores, pesquisadores, etc.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

Estratégias Desajustadas

Por força da minha experiência profissional tomei contacto há poucos dias com uma situação que mais uma vez remete as relações públicas para segundo plano em benefício da publicidade de forma injustificável.

Pelos meus anteriores posts alguns podem pensar que estou obcecado em deteriorar a imagem e o valor da publicidade. Não é verdade. Acho apenas que os tempos mudaram, os consumidores de hoje são diferentes dos de ontem, e existem actualmente outras formas de comunicar que conseguem obter iguais ou melhores resultados do que a publicidade em certos casos. No entanto, os gestores das nossas empresas ainda não se aperceberam destas mudanças, e continuam a ficar embevecidos sempre que um comercial entra pela porta a dentro do seu gabinete. Independentemente do projecto que têm para implementar, quer seja por comodismo quer seja por desconhecimento de outras formas de impactar os seus públicos, adjudicam propostas comerciais e gastam os seus orçamentos, que são cada vez mais escassos, de forma incompreensível.

Tomei recentemente conhecimento do desejo de uma empresa que actua na área da saúde em implementar um Prémio de Jornalismo. Em primeiro lugar, não se trata de uma iniciativa inovadora, antes pelo contrário, este já deve ser o 38º Prémio de Jornalismo a ser instituído em Portugal. Como se isto não bastasse, erram depois também na forma de o comunicar. Assim, foi-lhes apresentado uma proposta comercial de um anúncio (sim, leram bem, apenas um) de uma página num suplemento de saúde de um jornal generalista, e ao mesmo tempo, um plano de RP para seis meses. Valores rigorosamente iguais. Cada proposta atingia os 7.500 euros.

Não é que para meu espanto, a proposta de publicidade foi de imediato adjudicada (um anúncio – 7.500 euros), enquanto que o plano de RP que contemplava diversas acções durante seis meses espera pela aprovação, que na minha opinião nunca irá chegar.

Como é que a empresa promotora deste Prémio pretende ter impacto mediático com esta estratégia?!! Mais, como é que os jornalistas ficarão a saber da existência do Prémio com um simples anúncio?!! Será certamente mais um Prémio de Jornalismo condenado ao fracasso.

Este é um claro exemplo de uma estratégia suicida que não proporciona qualquer mais valia à empresa, e que envergonha todos os profissionais desta área, que, infelizmente, se deparam diariamente com cada vez mais episódios de despesismo e falta de inteligência como este que vos retratei aqui hoje.

domingo, 5 de fevereiro de 2006

Falta de ética – Caso real

Quem está na área das relações públicas e comunicação em Portugal sabe muito bem que para certas pessoas vale tudo para ganhar concursos e contas. As propostas de comunicação de algumas empresas são autênticas viagens ao mundo da fantasia, onde tudo se promete, por mais desajustado e ilusório que seja para o projecto em causa. São documentos onde, os apelidados de profissionais nesta área, libertam a sua criatividade, escrevendo aquilo que os clientes querem ouvir.

Anunciar durante a apresentação de uma proposta de relações públicas que aquele evento tem potencial para ser notícia num canal de televisão, é o que basta para ver os olhos do cliente a brilhar de satisfação. TV é a palavra mágica que encanta qualquer um. Estas reuniões são o palco preferencial para se dizerem as maiores barbaridades e fazerem promessas completamente irreais
, mas que aos olhos dos clientes, grandes desconhecedores da área das relações públicas (e aqui até incluo alguns dos responsáveis pela comunicação das empresas), são como que doces para crianças.

Os clientes na maior parte das vezes não detectam as promessas puramente demagógicas de algumas empresas de comunicação, o que leva a relações profissionais curtas e recheadas de insatisfação. No entanto, uma coisa são promessas exageradas e descabidas, outra coisa, e muito mais grave, é ter falta de ética na sua conduta profissional. E por isso, denuncio aqui uma situação que tomei conhecimento esta semana, e que me deixou completamente perplexo.

Actua no mercado português uma empresa que discrimina pormenorizadamente nas suas propostas (e eu tenho provas disso) os nomes dos meios de comunicação social onde conseguirá obter notícias. Assim, na proposta para um evento a que tive acesso, afirmaram claramente que,
dias antes da realização do mesmo, seriam obtidas notícias na agência Lusa, Correio da Manhã e Diário de Notícias. Para além disto, declararam que no dia da acção seriam veiculadas notícias pela rádio e televisão, e nos dias seguintes em outros meios, como o jornal Público e Diário de Notícias, e outros órgãos de cariz económico e financeiro. Tudo isto, pela módica quantia de 20 mil euros!

Como é possível afirmar que se conseguirão notícias nos meios X, Y ou Z a 3 meses de um evento?!! Como é possível acreditar que estas promessas serão cumpridas através do pagamento de uma determinada quantia?!! E acima de tudo, como é possível altos quadros de empresas multinacionais contratarem este tipo de serviço?!! Absolutamente lamentável!!!

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

INSTANT NEWS

Caros Leitores:

Com o objectivo de optimizar o carácter informativo do blog e de o tornar cada vez mais eficiente para todos vós, está já disponível o serviço "Instant News".

Se pretender saber quando o blog é actualizado, envie o seu email para renatopovoas@hotmail.com

domingo, 29 de janeiro de 2006

10 dicas para aparecer na comunicação social

Hoje trago-vos aqui parte de um artigo que li na revista Exame, na edição de Fevereiro, sobre como aparecer na comunicação social. Apesar de já ter tratado este tema anteriormente, achei interessante abordá-lo novamente para vós, leitores assíduos do blog, dada a sua qualidade, clareza e pertinência. Eis as dicas:

1- Eleja um responsável pela comunicação da empresa
Se não houver alguém ou uma equipa com esse trabalho específico, a empresa identificará certamente menos oportunidades de comunicação do que as que realmente existem. Se optar por um serviço em outsourcing certifique-se da excelência da agência de comunicação. Quanto melhor o interlocutor conhecer o negócio e a empresa, mais eficaz será a comunicação e célere o esclarecimento de dúvidas dos jornalistas.

2- Seja disponível
Quanto mais disponível for o líder e toda a equipa, mas facilmente conquistará a confiança dos jornalistas, sempre ávidos de fontes credíveis e de celeridade na confirmação e obtenção de dados. Em situações de crise esta postura torna-se ainda mais imperativa.

3- Invista em bases de dados
Se tiver sempre à mão os dados solicitados pelos media ambas as partes pouparão tempo. Facilitar o acesso a dados da sua empresa pode valer-lhe até alguns tempos de antena inesperados. Por exemplo, se para o público for indiferente ilustrar um artigo com um produto da sua marca ou da concorrência, o jornalista não hesitará em usar o que for mais acessível. Disponibilizar imagens on-line, em alta resolução, é um excelente trunfo.

4- Estude bem cada órgão
Aponte cada periodicidade, linha editorial e gráfica, e como estão arrumadas as secções. Segmente a informação em função de cada meio, mas não se esqueça de que, afinal de contas, todos concorrem com todos. Ninguém quer dar a ler algo que este já sabe (não interessa como nem onde).

5- Personalize a informação
Segmente a sua informação por assuntos e fique atento às sensibilidades e áreas de especialidade de cada jornalista. Actualize regularmente a lista de contactos e evite massacrar jornalistas com assuntos que não acompanham.

6- Não envie demasiada informação
As empresas tendem a esperar resultados imediatos dos seus planos de comunicação, o que motiva o envio indiscriminadamente de press releases, mas, tal como na história de Pedro e o Lobo, os jornalistas deixam de lhes prestar a devida atenção. Meça os resultados pela qualidade dos artigos, e a reputação que esta lhe pode trazer, e não pela quantidade.

7- Comunique de forma clara e concisa
É importante que a informação a passar ao público via jornalistas, lhes seja transmitida de forma clara. Sem textos extensos. Há que ser curto, claro, incisivo, para atrair a atenção do jornalista, e para evitar mal-entendidos e posteriores desmentidos.

8- Atenção ao subject e peso dos e-mails que envia
Os jornalistas recebem dezenas de e-mails por dia. Se pretende que o seu seja lido, coloque-lhe um subject apelativo, mas informativo, como se o estivesse a catalogar. E, claro, nunca deixe esse espaço em branco. Atenção também ao peso. Reduza-o ao máximo, evitando que eles sejam devolvidos ou apagados pelo receptor num momento em que este precise libertar espaço na mail box. E evite ainda ligar após o envio de cada press desperdiçando tempo e desgastando relações pessoais.

9- A informação certa no timing certo
Por melhor que seja a informação, ela terá de ser enviada na hora certa. Se pretende comunicar uma novidade essa tem de ser, de facto uma novidade. Quando o pedido de informação parte do jornalista, cumpra o deadline que este lhe der, caso contrário, por mais que tenha investido na resposta, ela já não poderá ser usada.

10- Nunca minta ou invente notícias
Mentir é o primeiro passo para perder a credibilidade junto dos media. Há que ter em conta que há sempre o risco de a mentira ser descoberta, que é o mais provável.

domingo, 22 de janeiro de 2006

Blogues – uma mais valia comunicacional

Uma notícia do passado dia 16 de Janeiro do jornal Público sobre uma iniciativa de um vereador da Câmara Municipal de Lisboa despertou-me particular curiosidade. António Prôa, edil para as áreas de ambiente, espaços verdes, espaços públicos e relacionamento institucional com as juntas de freguesia, criou um blogue com o objectivo de estar mais perto dos seus munícipes.

Em antonioproa.blogspot.com os lisboetas podem, não só comentar os temas dos posts lá colocados por este vereador, como também outros assuntos que os incomodem, quer seja um buraco na sua rua ou o futuro do jardim na sua área residencial. Esta ferramenta de comunicação pretende afirmar-se não só como um espaço de divulgação das iniciativas da autarquia, mas como um veículo privilegiado de comunicação com o gabinete do vereador António Prôa.

Do ponto de vista comunicacional é sem dúvida uma iniciativa inovadora em Portugal e certamente um exemplo a seguir pelos vereadores de outros municípios nacionais. Ferramentas como estas que permitem um diálogo quase imediato entre os órgãos de poder e o povo são, sem dúvida, acções que elevam a democracia, apesar de todo o marketing inerente.

À semelhança da esfera pública, este instrumento de comunicação é também uma opção válida e profícua no sector privado. Quero com isto dizer que, em empresas de grande dimensão, com mais de 150 trabalhadores, justifica-se a criação de um blogue que sirva de canal de comunicação entre a administração e os trabalhadores.

Dado vivermos na era onde as melhores empresas são aquelas que se preocupam com os seus diversos públicos (colaboradores, familiares, consumidores, entre outros) suportado por processos transparentes e uma conduta responsável, iniciativas como estas não devem provocar receios pelos eventuais feedbacks menos positivos. É caso para se dizer, quem não deve não teme!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

Previsões para 2006

Enterrado o ano de 2005, novos objectivos e metas se lançam para 2006. As companhias prometem aumentar o seu volume de vendas, incrementar lucros, reduzir despesas. O mesmo cenário se passa nas empresas de Relações Públicas.

Os responsáveis pelas agências de comunicação desdobram-se em entrevistas em jornais e revistas da especialidade para passar a mensagem de que, no que toca à sua empresa, o ano de 2005 foi de crescimento e que 2006 irá ser semelhante. O balanço é sempre positivo, igualando ou superando as expectativas iniciais. “Forte crescimento”, “crescimento muito positivo na empresa” e “um crescimento face ao ano anterior, quer no número de clientes quer na facturação”, são alguns dos típicos comentários feitos pelos principais directores das consultoras de comunicação em Portugal. Acho este discurso uma profunda demagogia vindo de pessoas supostamente responsáveis.

Apesar de achar que o mercado das relações públicas a nível mundial vive uma situação muito boa e robusta, Portugal neste caso, como em quase tudo, é ainda uma excepção. As empresas continuam a valorizar e a preferir apostar fortemente na publicidade e na comunicação above-the-line, ao contrário que se passa por exemplo nos Estados Unidos. É praticamente inexistente a sensibilidade para a comunicação, e para as suas verdadeiras potencialidades. Na minha opinião, o caminho mais correcto e profícuo será o de uma estratégia concertada entre a comunicação below e above-the-line, onde as relações públicas terão certamente um importantíssimo papel.

Por outro lado, as agências de comunicação em 2006 terão certamente que diversificar as suas competências e áreas de actuação. Para além da tradicional assessoria mediática, terão que apostar mais, e dotar os seus consultores, em disciplinas como comunicação de crise, responsabilidade social, media training, comunicação interna e lobby/public affairs. Dada a evolução do mercado e dos próprios consumidores, mais exigentes e selectivos, blogs, SMS e MMS’s são novas ferramentas a explorar na sua plenitude.

Uma outra realidade já verificada em 2005 no mercado português, e há muito no estrangeiro, é a especialização das agências de comunicação em áreas específicas, como a Saúde e Novas Tecnologias. As empresas procuram cada vez mais agências que actuem exclusivamente numa só área de negócio. Isto porque comunicar telemóveis de manhã e cancro da tiróide à tarde, como devem imaginar, é completamente diferente. Os clientes valorizam tal facto, e optam já na maior parte dos concursos por agências especializadas, preterindo as generalistas.

Outro facto que irá ser mais visível neste ano de 2006, será certamente o crescimento da facturação de pequenas agências, a um ritmo superior ao verificado nas agências de maior dimensão. Tal como na publicidade, nas relações públicas vive-se também uma grande disputa entre os grandes e os pequenos. Hoje em dia, o facto de uma agência ter uma filiação internacional já não tem tanto peso nos concursos como tinha há uns anos atrás. Para as empresas, as pequenas agências são cada vez mais uma solução interessante, justificando-se a escolha pela maior facilidade que estas têm em responder aos clientes de forma mais célere, com soluções mais inovadoras e com custos mais reduzidos, dado terem estruturas mais leves.

Para concluir, penso que 2006 irá ser na globalidade um ano positivo para as empresas que operam nesta área, onde triunfarão os mais profissionais e os que busquem incessantemente por melhores resultados para os seus clientes.

domingo, 25 de dezembro de 2005

O caso da neve (ou falta dela) no Marquês de Pombal

O que até podia ser uma iniciativa inovadora e capaz de impactar um largo número de portugueses, que é algo cada vez mais difícil dada a multiplicidade de acções que se sobrepõem todos os dias, acabou por ser um fiasco devido à sua não concretização. Estou a falar-vos da acção “Neve no Marquês”, uma iniciativa do Banco Espírito Santo (BES).

Esta instituição bancária, em parceria com a agência de publicidade BBDO e a agência de eventos Stressless, pretendeu, nas palavras dos seus responsáveis, “proporcionar aos lisboetas in loco e aos portugueses em geral, através da televisão, momentos de lazer originais”. Deixem-me acrescentar, tentaram confrontar a iniciativa do Millennium BCP com a maior árvore de Natal da Europa, localizada também em Lisboa.

Anunciou-se que durante diversos dias, ao final de tarde, haveria no alto de um dos edifícios do Marquês de Pombal, seis canhões a “cuspirem” flocos de neve. Criou-se uma elevada expectativa junto da população (nomeadamente crianças) devido ao carácter original da iniciativa em pleno coração da capital portuguesa. No entanto, tudo acabou por não acontecer devido a uma falta de licenciamento camarário, e como se isto não bastasse, ainda foi levantado um auto por parte da polícia ao promotor do evento, por este ter instalado um palco e outros equipamentos sem a respectiva licença. Segundo o BES, “tudo foi adiado por motivos técnicos, não havendo ainda uma nova data para a realização da acção”. No entanto, é de lamentar que este comunicado só tenha sido enviado para as redacções dos meios de comunicação social 20 minutos antes da hora prevista para o início do evento.

Dada a complexidade e pioneirismo da iniciativa, esta esbarrou na falta de uma declaração da PSP a garantir a circulação rodoviária na rotunda durante os “nevões”, num pedido de licença de ruído e numa declaração de compatibilidade ambiental. Para além disto a Associação dos Cidadãos Auto-Mobilizados (ACAM) já tinha também nos últimos dias questionado a iniciativa, alegando que esta poderia causar um aumento e agravamento dos despistes, colisões e atropelamentos na zona. Requereu, inclusive, à administração do BES e à autarquia lisboeta esclarecimentos sobre a “realização de um estudo de risco de segurança rodoviária, previamente à autorização desta campanha”.

Quero com isto transmitir-vos que uma boa ideia é importante, mas a forma como se a concretiza é tão ou mais determinante para o resultado final. Ou por outras palavras, a ideia e a implementação da mesma não vivem separadamente, e o resultado de uma influencia automaticamente o resultado da outra.

A iniciativa “Neve no Marquês”, dada uma má concretização (ou falta de planeamento da acção) da ideia inicial, não só explorou todo o potencial mediático que tinha, como viu este mediatismo positivo transformar-se em negativo, com notícias de TV, rádio e imprensa a denunciarem a perplexidade e a desilusão dos populares face ao cancelamento da acção. Cabe agora apurar as responsabilidades pelo sucedido, mas uma coisa é certa, para o comum dos mortais, a imagem do BES foi afectada com esta caricata situação.

domingo, 11 de dezembro de 2005

Gestão de Crise

Veio a público no passado dia 22 de Novembro, através de diversos meios de comunicação social, notícias relativas à retirada do mercado em Itália de alguns lotes de leite líquido infantil produzido pela Nestlé. A razão desta retirada prendeu-se com a existência de vestígios nas embalagens de um componente identificado como isopropylthioxantona (ITX) procedente de uma migração do material de embalagem TetraPak impresso em offset.

Estas notícias vindas de Itália chegaram rapidamente a Portugal tendo eco na esmagadora maioria dos órgãos de comunicação social nacionais. Igualmente rápida foi a tomada de posição da companhia face ao problema. No dia em que o caso se tornou público, a empresa emitiu pelas 18 horas um comunicado que refere que, apesar do produto não oferecer nenhum risco para a saúde, a Nestlé irá substituir todos os lotes que foram produzidos com a referida técnica de impressão. Segundo a mesma fonte, esta atitude tem como objectivo tranquilizar a 100% os seus consumidores. A empresa disponibilizou também, desde logo, uma linha telefónica para responder a todas as questões sobre este assunto.

No dia seguinte, este mesmo comunicado, estava presente em todos os jornais em letras garrafais e ocupando páginas completas. Mais de quinze dias depois, a Agência Europeia para a Segurança Alimentar concluiu que a substância ITX detectada em embalagens de cartão é motivo de pouca preocupação para a saúde. Este parecer apesar de importante para esclarecer toda a situação, teve pouca cobertura na comunicação social. Mais uma vez se confirma que os jornalistas desejam ferozmente alarmar o público, esquecendo-se depois de repor a verdade e esclarecer toda a matéria noticiada.

Como é inevitável nestes casos, todo este problema provocou obviamente uma quebra nas vendas dos produtos Nestlé, nomeadamente dos supostos leites contaminados. No entanto, penso que a companhia reagiu rapidamente e de forma correcta às notícias veiculadas. Com o parecer da Agência Europeia para a Segurança Alimentar nos últimos dias, acredito que a confiança foi novamente devolvida aos consumidores nacionais e o bom nome da Nestlé reposto. Sem dúvida, uma gestão de crise bem gerida!

domingo, 27 de novembro de 2005

A criatividade nas Relações Públicas

Vivemos na era da inovação e do desenvolvimento. A sociedade muda a cada dia que passa. Os processos e métodos de trabalho renovam-se diariamente. As relações públicas não são excepção.

Quem estagne na área da comunicação, muitas das vezes à sombra de bons resultados, será rapidamente ultrapassado. Quem não privilegie o conhecimento, o saber, a criatividade e a imaginação, não tem certamente lugar nesta área durante muito tempo.

As relações públicas têm normas de actuação, mas vive, na minha opinião, muito da criatividade e da inteligência do profissional. Se preferirem ainda de uma forma mais clara, o sucesso de um técnico de relações públicas depende do seu “jogo de cintura” perante os problemas e adversidades que surgem frequentemente. Há que saber contornar e ultrapassar os problemas e todos os minutos são importantes e cruciais. Só assim nos podemos destacar dos nossos pares. E isto não se aprende em nenhum manual. Assimila-se com a experiência.

No entanto, não julguem pelas minhas palavras que eu sou da opinião de que basta ser diferente para se triunfar. A boa criatividade é aquela que é usada com sabedoria. E esta surge muitas das vezes por acaso, durante a refeição, o banho, a caminho do trabalho, etc.

O CD da Leopoldina levado a cabo pelos hipermercados Continente e pela TVI, a escolha do mítico Pele como rosto do Viagra e a campanha “Swatch Fraldinhas” são apenas alguns exemplos de projectos muito bem criados, implementados e rentabilizados. Aliando isto à inovação e pioneirismo dos mesmos, faz com que estes sejam percepcionados e bem acolhidos pelos consumidores, e por outro lado bastante profícuos para as marcas.

domingo, 20 de novembro de 2005

Boato ou talvez não?

Esta semana enviaram-me um e-mail que resolvi partilhar convosco. Eis a mensagem:

Um Crime

Uma história de 2 aeroportos:
Áreas:
Aeroporto de Málaga: 320 hectares
Aeroporto de Lisboa: 520 hectares
Pistas:
Aeroporto de Málaga: 1 pista
Aeroporto de Lisboa: 2 pistas
Tráfego (2004):
Aeroporto de Málaga: 12 milhões de passageiros, taxa de crescimento de 7 a 8% ao ano
Aeroporto de Lisboa: 10,7 milhões de passageiros, taxa de crescimento de 4,5% ao ano
Soluções para o aumento de capacidade:
Málaga: 1 novo terminal, investimento de 191 milhões de euros, capacidade 20 milhões de passageiros/ano. O aeroporto continua a 8km da cidade e continua a ter uma só pista
Lisboa: 1 novo aeroporto 3.000 a 5.000 milhões de euros, solução faraónica a 40km da cidade

É o que dá sermos ricos com o dinheiro dos outros e pobres com o próprio espírito. Ou então alguém tem de tirar os dividendos dos terrenos comprados nos últimos anos. Ninguém investiga isto?

E sabem quem é o dono dos terrenos da Ota… Pois é…o Dr. Mário Soares, sabem agora porque é que ele se vai recandidatar?!! Porque o negócio com o Cavaco na presidência poderia ser inviabilizado.
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É certo que esta semana o candidato presidencial em causa já refutou publicamente o (suposto) boato, esclarecendo que nem ele nem qualquer familiar seu possui terrenos na Ota. No entanto, sendo verdade ou não, existirá sempre uma percentagem de pessoas que duvidará das palavras do Dr. Mário Soares. Muitos alegarão que se o assunto veio a público através dos media, é porque a acusação terá algum fundamento. É incontestável, este facto belisca a imagem do candidato do PS.
Qual será a origem de tudo isto? A investigação jornalística ou as máquinas partidárias? Eu acredito sinceramente muito mais na segunda opção. Isto porque as estratégias dos muitos assessores que trabalham a comunicação e imagem dos candidatos políticos são cada vez mais fortes, incisivas e aguerridas. É assim natural levantarem-se este tipo de boatos, a que eu carinhosamente apelido de "poeira política", pois em vez de se discutir ideias e propostas, opta-se por este tipo de "jogo" muito pouco sério. Resta agora apenas uma questão: Quem realmente beneficia com este tipo de estratégia?

quinta-feira, 10 de novembro de 2005

Cinema Nacional

Foi hoje apresentado um estudo realizado pela Universidade Lusófona que refere que mais de metade dos portugueses sente indiferença pelo cinema nacional. Desinteresse pelos argumentos, ideia negativa dos actores e falta de promoção dos filmes portugueses foram as razões principais evocadas pelos inquiridos.
Globalmente, o estudo concluiu que existe uma "falta de empatia" e uma "atitude negativa generalizada" dos portugueses em relação aos filmes nacionais, segundo os autores do mesmo. Estas conclusões não são certamente inesperadas para ninguém, mas penso que está na altura dos responsáveis se unirem e definirem uma verdadeira estratégia que vise melhorar a imagem e a performance da indústria cinematográfica portuguesa.
A falta de verbas não poderá ser uma justificação para uma deficiente promoção dos filmes portugueses. Penso que a solução aqui será o uso da criatividade, nomeadamente com a concretização de profícuas parcerias.
Se as produtoras nacionais não têm actualmente capacidade para promover os seus trabalhos de forma adequada, torna-se crucial que estas desenvolvam planos estratégicos de acções, sempre definidos de acordo com os objectivos e conteúdos específicos de cada filme.
Como é possível que produções nacionais premiadas e reconhecidas internacionalmente estejam presentes em meia dúzia de salas portuguesas, e quase sempre despidas de espectadores?
Bem sei que as mentalidades não se alteram de um dia para o outro, mas isto não é razão para cruzarmos os braços e nada fazermos como habitualmente. Por isso.... 1,2,3... ACÇÃO!!!

domingo, 6 de novembro de 2005

7º Congresso Europeu de Relações Públicas

Caros amigos, hoje deixo-vos aqui uma nota muito importante. Realiza-se nos próximos dias 10, 11 e 12 de Novembro, na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa, o 7º Congresso Europeu de Relações Públicas.
Um dos mais importantes eventos de Relações Públicas da Europa e do mundo, que conta com a presença de pessoas dos quatro cantos do mundo (Nova Zelândia, Austrália, Africa do Sul, Europa de Leste e Ocidental, Ásia e América do Sul).
Sem dúvida, um evento a não perder!

domingo, 23 de outubro de 2005

As Pós-Graduações em Comunicação

Nos últimos tempos temos assistido ao nascimento de múltiplas pós-graduações na área da comunicação e relações públicas em Portugal. Serão todas válidas? Serão todas enriquecedoras? Serão uma mais valia profissional para as pessoas que as frequentam? Tenho sérias dúvidas!
Das dezenas de cursos que existem, contam-se talvez pelos dedos de uma mão só, os que realmente valem a pena investir tempo e dinheiro. Muitas pós-graduações em comunicação que existem em Portugal não têm programas científicos úteis nem professores com competências adequadas.
Eu sou defensor acérrimo da formação contínua, e penso que sem esta mentalidade e atitude não é possível evoluir, no entanto acho que se anda a comprar gato por lebre.
Compreendo que as pessoas que infelizmente estão no desemprego ou estagnadas profissionalmente procurem as pós-graduações com o objectivo de impulsionar as suas carreiras. No entanto, também infelizmente, existem no mercado outros que se aproveitam desta fragilidade, desenhando cursos e convidando professores mediáticos, apenas a pensar no retorno finaceiro dos mesmos.
Isto é como tudo. É fundamental beber informação junto de várias fontes, reflectir e tomar a decisão que se acha mais acertada. Com esta estratégia, temos muito mais hipóteses de sermos felizes!

domingo, 16 de outubro de 2005

Comunicação de Crise - Caso Real

Hoje trago-vos aqui um caso real de comunicação de crise, com grande impacto mediático a nível nacional, que tive oportunidade de viver bem de perto. A cartelização na indústria farmacêutica.
Puxando um pouco o filme atrás, para os mais distraídos, a Autoridade da Concorrência anunciou no passado dia 13 que condenou cinco empresas da indústria farmacêutica a pagar 16 milhões de euros de multa por manipulação de preços em vários concursos públicos. Em comunicado, a Autoridade da Concorrência diz que decidiu condenar a Abbott Laboratórios, a Bayer, a Menarini Diagnósticos, a Roche Farmacêutica Química e a Johnson & Johnson por se terem concertado com o objectivo de "impedir, restringir ou falsear, de forma sensível, a concorrência através da fixação de preços".
Esta notícia dada em primeira mão pela Agência Lusa, foi o rastilho de uma bomba que explodiu momentos depois em televisões, rádios e imprensa. As notícias sobre este assunto abriram telejornais, blocos notíciosos nas rádios e fizeram primeiras capas quase em todos os jornais. Isto já para não falar dos diversos fóruns de discussão nos meios de comunicação social e na ida do Ministro da Saúde à SIC Notícias em horário nobre e em directo. Ou seja, muitas linhas se escreveram, muitos minutos de protagonismo teve este caso nos últimos dias.
A indústria farmacêutica é um alvo muito apetecível de muitos meios de comunicação social, tendo níveis de reputação e notoriedade quer junto destes, quer junto do público em geral muito reduzidos. Este caso ajudou assim, ainda mais, a manchar a imagem não só dos laboratórios envolvidos, como também de todo o sector. Isto porque as pessoas esta semana podem ainda ter em mente o nome das empresas envolvidas no caso, mas certamente que no próximo mês o que se irão lembrar será de que a indústria farmacêutica prejudicou muitos doentes portugueses.
Dos cinco laboratórios envolvidos, apenas um revelou que aceitava pagar a multa que lhe foi aplicada. Outros dois, rejeitaram as acusações, e houve um que nem sequer falou. O quinto e último envolvido, como colaborou com as investigações, remeteu-se também ao silêncio. Quem tomou a atitude mais correcta e menos penalizante?
As opiniões serão diversas, concerteza. Uns, argumentam que é preferível assumir desde o início a culpa e aceitar que errou. Outros, defenderão que negar (mesmo que seja o evidente) a injusta situação é a opção mais válida. Outros, dirão ainda que não falar, mantendo um low profile em todo o caso, será o caminho mais acertado.
Na minha opinião, o que não deixa qualquer dúvida é que este caso ajudou a prejudicar a má imagem pública que o sector tem em Portugal, lançando ainda mais dúvidas sobre o comportamento das empresas que actuam nesta área. O mercado necessita urgentemente de uma operação plástica!

quarta-feira, 5 de outubro de 2005

A Origem dos Técnicos de Comunicação

No outro dia dei por mim a conversar com um colega meu sobre a origem das pessoas que trabalham nos departamentos de comunicação das empresas. A resposta surgiu ali rapidamente: vendas, recursos humanos ou secretariado, são alguns exemplos.
Curiosamente, as empresas, devido à necessidade de comunicarem com os seus diversos públicos, deslocam internamente pessoas provenientes das áreas mencionadas para os recém criados departamentos de comunicação. Muitas das vezes essas pessoas sem formação na área, ocupam mesmo o lugar de directores de comunicação. As fusões (e nos últimos tempos temos assistido a várias) são outro pretexto para isso acontecer. Para não se despedir tantas pessoas nestes processos, os gestores preferem arranjar uma solução interna, proveniente de outro departamento, sem formação adequada, para a área da comunicação. Isto acontece dado os gestores das empresas terem pouca ou mesmo nenhuma sensibilidade para esta disciplina, desvalorizando o potencial da mesma. Eles acreditam que todos têm capacidade e apetência para trabalhar nesta área.
Mais tarde, quando as empresas recorrem aos serviços de uma agência de comunicação as coisas complicam-se para estes últimos. Isto porque tem que se lidar com pessoas que pouco ou nada percebem, que pouca ou nenhuma experiência têm na área da comunicação. Desta forma, dizem os mais diversos disparates. Eis alguns exemplos:
- "Quantos jornalistas vamos ter na conferência de imprensa daqui a 3 dias?";
- "Eles não podem enviar os textos antes de serem publicados para nós revermos?";
- A uma hora do início da conferência de imprensa: "Soubemos agora que o nosso Director-Geral estará presente. Faça lá um forcing junto dos meios!";
- "Então e amanhã no evento temos televisões? E o Expresso?".
Para os clientes as suas iniciativas são sempre fantásticas e marcam sempre a agenda mediática nesse dia. Mesmo que o público-alvo não sejam os leitores do jornal Expresso ou Visão, eles gostam de ter notícias nestes meios. São considerados os órgãos de comunicação ideiais. Quero com isto dizer que tomam decisões em função de gostos pessoais e não em função da estratégia empresarial.
Podem pensar que são poucas as pessoas com responsabilidades na área da comunicação que fazem as perguntas ridículas que referi anteriormente, mas não, existem concerteza muitas e eu infelizmente conheço algumas. Exige-se uma mudança rapidamente!

domingo, 2 de outubro de 2005

Estagiários

Todos os meses chegam às agências de comunicação dezenas de CVs de jovens, ou menos jovens, à procura de um lugar no mundo da comunicação. Os meses de Setembro e Outubro são obviamente os períodos onde se regista o maior número de envios. Findado o curso superior, lançam-se à aventura, "disparando" uma série de CVs por correio e, graças às novas tecnologias, por email, reduzindo assim os custos da acção.
Curiosos pela, muitas das vezes, primeira experiência profissional, enchem-se de sonhos e ambições. No entanto, na maior parte dos casos, as coisas não se concretizam como desejam. Um dos principais problemas, será sem dúvida, a falta de oportunidades em crescer profissionalmente. Ou seja, muitas das vezes os jovens são utilizados para fazer apenas as tarefas que os outros mais velhos, e há mais tempo nos locais de trabalho, não querem fazer. São poucas as empresas que estimulam os mais novos e retiram daí os devidos proveitos.
Dada a muita oferta de recém-licenciados, as empresas de comunicação não se preocupam em formar as pessoas e utilizam-as de forma completamente errada. Na minha opinião, esta situação fica-se a dever a uma falta de formação dos gestores ao nível dos recursos humanos e de visão estratégica a médio-longo prazo. Desta forma, optam pela "gestão reciclável", ou seja, de 6 em 6 meses os estagiários renovam-se. Quem se poderá motivar assim, sabendo que por muito bom que seja o seu desempenho acabará por ser dispensado?!!
No meu entender, existem no mercado muitos profissionais séniores cheios de vícios que adoptam diariamente uma atitude passiva, acomodados talvez a alguns bons resultados que possam ter conseguido. Por outro lado, existem certamente alguns jovens dinâmicos e irreverentes empenhados em mostrar o seu valor, que mereciam pelo menos uma oportunidade. É uma questão de renovação saudável que só poderá ter um impacto positivo na empresa!

domingo, 25 de setembro de 2005

A Estratégia na Comunicação

Muitas pessoas criticam o trabalho que se faz nas agências de comunicação, pois referem que os seus profissionais apenas fazem assessoria de imprensa. Criticam a falta de estratégia nas acções implementadas e nos planos de comunicação levados a cabo. Consideram-os meros executores de acções.
Na minha opinião, a assessoria de imprensa será sempre a actividade principal das agências de comunicação. É para isso que são pagas. Têm como grande objectivo gerarem notícias, dar visibilidade às empresas para as quais trabalham. Sem notícias não há agência que resista.
No entanto, enganem-se os que pensam que tudo é fácil e que qualquer um pode ser responsável de comunicação, pois basta fazer uns telefonemas e ter um vasto léxico que as notícias surgem logo. Pois, não é bem assim! Um bom relações públicas tem que ter um pensamento estratégico orientado sempre para os resultados. Sem estratégia e sem preserverança os resultados são muito reduzidos.
A estratégia de que eu falo aqui, é o alinhamento das acções de comunicação num plano. Os momentos comunicacionais têm de ter uma lógica sequencial e não podem ser despejados de qualquer forma para um plano de comunicação.
Mais do que isso. Um bom relações públicas é aquele que está atento à sociedade e ao mercado profissional onde se movimenta e sabe aproveitar as oportunidades que surgem. Muitas das vezes, estes sinais que devem ser interpretados não são claros, dependendo muito do faro comunicacional do profissional, que aliado a um espirito criativo do mesmo, pode resultar numa excelente iniciativa de relações públicas.
Em jeito de conclusão, um profissional completo é aquele que privilegia nas tarefas do seu dia-a-dia a proactividade, o conhecimento, a preserverança, a criatividade e a estratégia.